terça-feira, 23 de outubro de 2012



AULA V – HERÁCLITO DE ÉFESO.


Estudar Heráclito de Éfeso é um meio de entendermos o início da Metafísica, pois a contribuição conceitual que ele cunha, mediante as perspectivas já existentes dos pensares da época, é de suma importância até os dias de hoje, suas reflexões estão no âmbito do que está no meio de nós, mas que por questão de sistematização o próprio filósofo se vê impregnado de questionamentos sobre o que existe. Seus patriotas (Éfeso estava situada na Jônia) lhe entregou de herança pensamentos sobre a origem das coisas bem como o seu fim, mas nada em relação entre a origem e o fim disto que foi originado. Isto é, algo que foi criado com o tempo deixa de existir, a isso se preocupa Heráclito. Deixa de existir por quê? Por acaso o que existe precisa ter fim? O que põem fim na existência? Se algo existe e se corrompe, para ele a existência disto é mais real do que o que existe, então o que existe não é a coisa em si (o que existe), mas o que põe fim na coisa em si é mais real do que existe. Elucidando: há o fruto na árvore, este fruto se colhido será comido, transformado em nosso organismo. Se caso permanece na árvore, amadurece e cai, depois apodrece e aos poucos vai se tornando elemento orgânico na terra.
Esse exemplo é observado em Heráclito em repetidos banhos tomados na costa norte de Éfeso, na Jônia, lá ele se depara que toda vez que ao tomar banho as águas já não são as mesmas, essas fluem, modificam-se, passam e não volta mais. Este princípio é aplicado por ele às coisas. Elas passam e com isso se modificam. Ao olhar os seres humanos ele observa que há as modificações, e por fim morrem as coisas todas que existem passam, se acabam. Assim, se tudo termina e tem fim, elas estão no processo do devir. Do que vem a ser, ou seja, tudo o que existe só existe no vir a ser. Tudo o que é e era advém do devir, só o devir existe o resto é processo deste mesmo devir que põe fim em tudo. O que é real é o devir, as coisas são produtos e desemboca nele.
O devir é a arché, a realidade (o que existe) é o que vem a ser, e só isso existe. Essa afirmação afeta diretamente o conhecer, se as coisas não existem porque sempre estão mudando, estando no processo de devir, como conhecê-la, nada é passível de conhecimento, só o devir. Toda realidade é percebida pelo intelecto, mas não existe se não está no processo do vir a ser. Não é conhecido, pois a cada momento que vamos ao objeto ele é outro, um novo objeto. Um conhecer novo sempre, então não o conhecer!!! Portanto tudo muda muito, nunca é um ser, são vários seres! Então o ser não existe[1]!

everton moura.


[1] Vale ressaltar que os estudos contextuais dos filósofos sempre estão voltados a unicidade na multiplicidade. Coube aos primeiros filósofos tentar buscar na multiplicidade da realidade uma única realidade que origina essa multiplicidade. A arché é isso: a origem da multiplicidade. A existência da arché é fato que origina todo o Mundo, em cada filósofo uma explicação de arché diversa, portanto quando as heranças dos pensamentos jônicos chegam a Heráclito e sua interpretação de existência do que é real muda, pois as existências não existem, muda sempre! Mas o pensamento da unicidade não muda, a arché para ele é o Logos-fogo, que a tudo muda, este é o nome do devir, que ao mudar tudo muda de formas variadas. Portanto é ‘não-ser’ que é.

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