domingo, 8 de julho de 2012

PRIMEIRO NIETZSCHE...


Já postei algo sobre este filósofo classificando-o de existencialista no termo lato do que a filosofia propõe. Nietzsche corresponde a um existencialista, pois suas reflexões sempre estão em torno do homem pela ideia da transformação (pensamento oriundo dos pressocráticos no que tange o ‘devir’). Esse existencialismo se dá em três fases, estaremos na primeira.A contemporaneidade do filósofo juntamente com o pensamento dos jônicos dá a Nietzsche uma visão crítica e bastante ácida, propondo um pensar altamente afirmativo sobre a vida em detrimento da escuridão ainda presente na religião cristã e no exaltar dos verdadeiros pensadores (os pressocráticos). Neste contexto, filosofar sobre o homem e sua existência traz a baila uma alternativa às ilusões criadas pela religião e pela ciência. O pensamento de ‘nitzschiniano’ ou conhecido como pensamento niilista é a história do conhecimento humano que nega a vida, e mesmo quando a afirma é meramente a história de uma ilusão de uma construção de um modelo de homem que não existe e que jamais existirá. Em outras palavras: o homem construiu uma imagem de si muito superior ao que consegue ser, e vive a procura dessa imagem. Nietzsche desacredita nisso e propõe a descentralização do homem como conhecedor das coisas, ele tira esse antropocentrismo, o homem não conhece nada e diz: “desce deste lugar.”Os valores que Nietzsche acredita que a nossa história nos apresenta em relação ao conhecimento advém como em um leito de rio que foi cavado por uma interpretação do homem tangencialmente em referência ao mundo e esta cavação é tida pelas interpretações ‘socrática-platônica’.  Assim, já no século XIX, Nietzsche aponta uma necessidade de revalorar a história do homem como história do mundo e não histórias distintas. O leito do rio precisa ser transbordado, nossa civilização precisa deixar de ser vítima de uma única interpretação do mundo, a saber, a ‘socrática-platônica’No livro “República”, Platão sugere uma sociedade dentro de uma caverna, onde os habitantes só veem o mundo por meio das sombras projetadas nas paredes da caverna, conhecemos isso com o título ‘Mito da Caverna’ que é uma forma de dizer o conhecer humano em relação ao mundo. A mitologia Grega sempre foi uma forma de interpretar o mundo e Platão é fruto de seu tempo. Acontece que essa interpretação não abre espaço ao devir, se tudo é projetado e não temos acesso ao conhecer, como chegar ao conhecimento? Por isso Nietzsche afirma que ao retomar os pressocráticos é buscar reorientar o conhecimento, é na filosofia préssocrática que os homens já não querem mais o mito, querem olhar para o mundo e tirar da relação imediata com o mundo alguma interpretação. Aqui entra o niilismo do filósofo em querer desacreditar tudo em voga e favorecer uma reflexão onde a busca das transformações é sempre o principio constante que permeia o conhecer.Essa é uma das primeiras fases de Friedrich Nietzsche, onde os trágicos gregos apontavam um modo diferente de chegar ao conhecimento e passá-lo de maneira performática, neste espírito Nietzsche adentra ao conhecer por meio das artes, da exaltação do corpo, dos exageros, da criatividade e originalidade. Valores perdidos por questões históricas práticas:  o cristianismo ainda detinha certo poder sobre as pessoas e a ciência se apontava como a sucessora do pensar o Mundo, isto é, de interpretar o Mundo. Então, Nietzsche, ao invés de pensar como todos de sua época, cujo pensamento era “Quem tem a verdade?” – olha de longe – que é uma das característica artísticas de Nietzsche, a de um pensador-poeta, e pergunta: “O que é a verdade?.
No fim desta fase de Nietzsche ainda perguntará: “isso é falso ou verdadeiro, é verdade ou erro?” – ele pergunta: “Para quê e por que a verdade?”. Aqui é a primeira fase deste pensador que muito contribui para entendermos sua época e a nossa...


everton

Nenhum comentário:

Postar um comentário