quarta-feira, 11 de julho de 2012

UMA SALVA DE PALMAS...

Estava conversando com um amigo e ele me revela a devida preocupação dele em relação aos discursos imbuídos de tendências e alienações... Medo... Timidez... Sabe-se lá... O fato é que isso me inquietou profundamente, refleti... pensei... Acho que não cheguei a consenso nenhum entre o eu e o mim do eu... E´ fato das tendências e os proselitismos que vivemos e somos obrigados a compartilhar para muitas vezes seguirmos em nossa caminhada rumo ao fim (que é meta), mas a pergunta que me aflige e corroi é: o que não é tendencioso?Se assisto a tv, leio um livro, um jornal ou escuto as mazelas da vizinha, isso é tendencioso, cada um se esforçará para me fazer entender o que eles querem que eu entenda, o que não pode ser necessariamente um fato em si. Já entendemos que os fatos sempre são acompanhados pelas interpretações e sendo assim em absoluto eles são passados com certa dose de tendência.Imagino o Sir Conan Doyle ao escrever as aventuras de Sherlock Holmes... O esforço que ele tem para me fazer entender o pensamento do detive, o qual muitas vezes desafia o senso comum e quiçá o bom senso. Releio seus livros (não tem como negar que eles são os melhores) é percebo que em cada página Sir Doyle me tendencia a pensar como Holmes, me proporciona reflexões, deixa pistas, me faz entender o que ele quer que eu entenda... Isso é alienante, pois posso resolver os crimes de minha forma (o que pode ser outra alienação). Uma grande crítica a isso é o livro de Jó Soares, O Xangô de Back Street, que por sua vez é outra forma alienante de um ver tipicamente brasileira e porque não dizer de uma ilustríssima ignorância sortuda... Muito bem!Não vou me deter em dizer no que nos alienamos na tv porque isso é evidente, mas que tipo de alienação sou portador nessa alienação que a tv me mostra... Isso poderia ser fruto de uma outra reflexão! A manipulação dos meios de comunicação me alienam dependendo do meu grau de alienação, isto é, já chego no controle remoto alienado porque as informações 'extra casa' ou mesmo 'intro casa' me fazem um ser que deve sempre optar por algo, e isso aqui já é uma alienação. Por mais que haja na tv programas que tentem me demonstrar o quão alienado eu sou, na verdade estão me mostrando o tão alienado sou, principalmente porque os discursos deles serão os meus para denunciar a alienação alienante no qual me alienei.Quando estamos no Ensino Médio temos um professor ultra revolucionario que sempre nos chama para rever a sociedade com olhos críticos... Me pergunto: com qual olho crítico,? De uma corrente de pensamento, de um pensador? Em casa antes de sair para a escola qual o tipo de alienação minha mãe usa para que eu coma folhas e verduras? E qual a 'história' que meu pai vai contar para me convencer a não ter dinheiro para comprar aquele jogo de computador que tanto quero... Qual o jogo que quero: o de matar os passageiros, transeuntes que são velhinhos, cachorrinhos e outros 'inhos'?Ora a alienação em conceito real é histórico (conceito seguro é bem pesquisado http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliena%C3%A7%C3%A3o) e pouco tem haver com seu uso até aqui... Acreditem até na alienação mexeram para que nos alienássemos, discurso complicado, muitas vezes seguir os outros por identificação ou repulsão (sabe-se lá) pode ser questão de opinião e não meramente sigo um padrão... O discurso alienador vem para tentar alienar por outros motivos que por sua vez também são alienadores. Não sei se há uma saída para isso, mas paremos com essa historinha de que há alienados e outros que criticam porque não são alienados. Todos nós temos nossos interesses, nossos prazeres e gozos. Não precisamos nos preocupar se tem haver com isso ou com aquilo... Precisamos aprender a viver, talvez seja por isso que algumas pessoas acreditam que a vida é difícil, pois se preocupam com as convenções criadas para agradar! E como alguns tem dificuldades de viver sob algum tipo de julgo, necessita de criar algum discurso que o arremeta a uma conforto de existência, sem que o tire de existir, mas fazendo-o superior aos outros! Imagine em uma conversa um conhecido que nos afirma que vivemos em uma sociedade que nos aliena... qual será nossa reação? Concordar ou discordar? Afirmar?Poderíamos argumentar que ele é mais alienado porque apesar da alienação descoberta por ele, o mesmo ainda vive em uma outra, ou seja, mostrando a alienação dos outros ou aos outros...Inclusive eu neste escrito me pergunto qual será minha alienação ao escrever. Sou movido por meio de pensamentos mil, por posicionamentos distintos, cheio de 'pré-conceitos' e no final por alienações que me alienaram até aqui e escrever. E mais... Quais os tipos de alienações que vocês ao lerem tem ou terão? Acredito que a alienação é uma constante do tempo e do espaço, não há como nos furtar dela. Somos refém delas. Dá para perceber que alienação tem haver com as ideias que nos move!? Uma reflexão global e radical poderia nos orientar sobre sob qual alienação quero viver ou qual sigo em minha vida... Fica para outra vez uma reflexão sobre isso.
everton

domingo, 8 de julho de 2012

PRIMEIRO NIETZSCHE...


Já postei algo sobre este filósofo classificando-o de existencialista no termo lato do que a filosofia propõe. Nietzsche corresponde a um existencialista, pois suas reflexões sempre estão em torno do homem pela ideia da transformação (pensamento oriundo dos pressocráticos no que tange o ‘devir’). Esse existencialismo se dá em três fases, estaremos na primeira.A contemporaneidade do filósofo juntamente com o pensamento dos jônicos dá a Nietzsche uma visão crítica e bastante ácida, propondo um pensar altamente afirmativo sobre a vida em detrimento da escuridão ainda presente na religião cristã e no exaltar dos verdadeiros pensadores (os pressocráticos). Neste contexto, filosofar sobre o homem e sua existência traz a baila uma alternativa às ilusões criadas pela religião e pela ciência. O pensamento de ‘nitzschiniano’ ou conhecido como pensamento niilista é a história do conhecimento humano que nega a vida, e mesmo quando a afirma é meramente a história de uma ilusão de uma construção de um modelo de homem que não existe e que jamais existirá. Em outras palavras: o homem construiu uma imagem de si muito superior ao que consegue ser, e vive a procura dessa imagem. Nietzsche desacredita nisso e propõe a descentralização do homem como conhecedor das coisas, ele tira esse antropocentrismo, o homem não conhece nada e diz: “desce deste lugar.”Os valores que Nietzsche acredita que a nossa história nos apresenta em relação ao conhecimento advém como em um leito de rio que foi cavado por uma interpretação do homem tangencialmente em referência ao mundo e esta cavação é tida pelas interpretações ‘socrática-platônica’.  Assim, já no século XIX, Nietzsche aponta uma necessidade de revalorar a história do homem como história do mundo e não histórias distintas. O leito do rio precisa ser transbordado, nossa civilização precisa deixar de ser vítima de uma única interpretação do mundo, a saber, a ‘socrática-platônica’No livro “República”, Platão sugere uma sociedade dentro de uma caverna, onde os habitantes só veem o mundo por meio das sombras projetadas nas paredes da caverna, conhecemos isso com o título ‘Mito da Caverna’ que é uma forma de dizer o conhecer humano em relação ao mundo. A mitologia Grega sempre foi uma forma de interpretar o mundo e Platão é fruto de seu tempo. Acontece que essa interpretação não abre espaço ao devir, se tudo é projetado e não temos acesso ao conhecer, como chegar ao conhecimento? Por isso Nietzsche afirma que ao retomar os pressocráticos é buscar reorientar o conhecimento, é na filosofia préssocrática que os homens já não querem mais o mito, querem olhar para o mundo e tirar da relação imediata com o mundo alguma interpretação. Aqui entra o niilismo do filósofo em querer desacreditar tudo em voga e favorecer uma reflexão onde a busca das transformações é sempre o principio constante que permeia o conhecer.Essa é uma das primeiras fases de Friedrich Nietzsche, onde os trágicos gregos apontavam um modo diferente de chegar ao conhecimento e passá-lo de maneira performática, neste espírito Nietzsche adentra ao conhecer por meio das artes, da exaltação do corpo, dos exageros, da criatividade e originalidade. Valores perdidos por questões históricas práticas:  o cristianismo ainda detinha certo poder sobre as pessoas e a ciência se apontava como a sucessora do pensar o Mundo, isto é, de interpretar o Mundo. Então, Nietzsche, ao invés de pensar como todos de sua época, cujo pensamento era “Quem tem a verdade?” – olha de longe – que é uma das característica artísticas de Nietzsche, a de um pensador-poeta, e pergunta: “O que é a verdade?.
No fim desta fase de Nietzsche ainda perguntará: “isso é falso ou verdadeiro, é verdade ou erro?” – ele pergunta: “Para quê e por que a verdade?”. Aqui é a primeira fase deste pensador que muito contribui para entendermos sua época e a nossa...


everton