sábado, 9 de abril de 2011

QUAL A DIFERENÇA ENTRE MORAL E ÉTICA?


Sempre houve diferenciações entre moral ética. Fundamentalmente poderiamos separar de seguinte modo:
-  A moral tem um caráter:
    
*Prático imediato

*Restrito
  
*Histórico

 *Relativo
- Enquanto a ética poderia ser elencada assim:

*Reflexão filosófica sobre a moral

*Procurara justificar a moral

*O seu objeto é o que guia a ação

        *O objetivo é guiar e orientar racionalmente a vida humana


Apesar de terem um fim semelhante: ajudar o Homem a construir um bom caráter para ser humanamente íntegro; a ética e a moral são muito distintas.
A moral tem um caráter prático imediato, visto que faz parte integrante da vida quotidiana das sociedade e dos indivíduos, não só por ser um conjunto de regras e normas que regem a nossa existência, dizendo-nos o que devemos ou não fazer, mas também porque está presente no nosso discurso e influencia os nossos juízos e opiniões. A noção do imediato vem do fato de a usarmos continuamente.
A ética, pelo contrário, é uma reflexão filosófica, logo puramente racional, sobre a moral. Assim, procura justificá-la e fundamentá-la, encontrando as regras que, efetivamente, são importantes e podem ser entendidas como uma boa conduta a nível mundial e aplicável a todos os sujeitos, o que faz com que a ética seja de carácter universalista, por oposto ao caráter restrito da moral, visto que esta pertence a indivíduos, comunidades e/ou sociedades, variando de pessoa para pessoa, de comunidade para comunidade, de sociedade para sociedade. O objeto de estudo da ética é, portanto, o que guia a ação: os motivos, as causas, os princípios, as máximas, as circunstâncias; mas também analisa as consequências dessas ações.A moral também se apresenta como histórica, porque evolui ao longo do tempo e difere no espaço, assim como as próprias sociedades e os costumes. No entanto, uma norma moral não pode ser considerada uma lei, apesar da semelhança, porque não está escrita, mas sim como base das leis, pois a grande maioria das leis é feita tendo em conta normas morais. Outra importante característica da moral (e esta sim a difere da lei) é o fato desta ser relativa, porque algo só é considerado moral ou imoral segundo um determinado código moral, sendo este diferente de indivíduo para indivíduo. Finalmente, a ética tem como objetivo fundamental levar a modificações na moral, com aplicação universal, guiando, orientando, racionalmente e do melhor modo a vida humana.


everton de moura...

O EXISTENCIALISTA JEAN-PAUL SARTRE.






 No filósofo Jean-Paul Sartre há dois seres distintos: O Ser em Si, que “é o que é e não pode deixar de ser”, como já anteriormente concluído por Parmênides. O Ser em si é ele mesmo, pleno, absoluto de si próprio, “empastado de si mesmo”, nele não há espaço para o vazio, sendo ao mesmo tempo, inconsciente de si próprio.
Já o Ser para Si, é a consciência, consciência que nos faz reconhecermo-nos como ser, sendo a única prova que temos de nossa própria existência.
Do Ser para si emana o nada, posto que o Em si não o poderia admitir, já que pleno de si próprio. Nem tão pouco poderia surgir o Nada dele mesmo, posto que nada surge do nada. Já o Ser para si, trás o Nada dentro de si, pois é o ser que questiona sobre o Nada de seu próprio ser, assim trazendo-o ao mundo.
O Nada, dessa forma vem a ser a ruptura entre o passado consciente e o presente, trazendo-nos, assim, a liberdade de nós próprios, que nada mais é do que o desprendimento do passado, pois “o homem nunca pode ser os conteúdos que povoam a sua consciência”, fazendo-o prisioneiro do passado. Posto isso, encontramo-nos libertos quando despedimo-nos constantemente de nosso próprio ser.
Mas enfim, o que realmente somos, se “temos a constante obrigação de nos fazer ser o que somos, se somos segundo o modo de ser do dever ser o que somos”? Dessa forma, representamos apenas a uma função, e não somos o que cremos ser. Estamos sempre buscando ser algo, sem de fato poder sê-lo. Portanto jamais poderemos ser um Ser em si, pois “o homem é, mas é de tal maneira que escapa ao ser”. Não pode ser o que realmente se é, como um objeto qualquer, pleno de si próprio. Pode, por exemplo, estar sentado, mas não Ser sentado. Assim, Sartre afirma que “o homem está condenado a representar e o teatro é eterno”.
Podemos nos tornar médicos, advogados, garçons, mas não podemos de fato sê-los, aprendemos as funções, a agir desta ou daquela forma, mas podemos mudar assim que desejarmos, deixando de sê-los, portanto, não o somos em si, estamos apenas representando, somos eternos atores de nossas próprias vidas! Pois o “Ser para si é o que não é e não é o que é”.
Dessa forma, enganamo-nos a nós próprios e cremos que somos o que na realidade não podemos ser. E “a crença, considerada em toda sua pureza, revela-se uma impossibilidade, pois crer é saber que se crê, e saber que se crê não é mais crer”. Ela tenta encobrir nossa negatividade, tenta criar um em-si, não aceitando nossa nadificação, procura fugir do que não se pode.
A consciência, o Ser para si, despede-se constantemente de tudo, ele é nada, introduzindo o nada ao ser, entretanto, sem aceitá-lo.
“O cadáver tem a plenitude de ser, a consciência é o em-si que se degrada em presença a si através de um ato ontológico, que consiste na intromissão do nada”.
“Penso, logo existo”, diz o cogito Cartesiano. Mas o que de fato sou? Sou um ser que crê ser o que não pode ser, um ser “que não explica o seu ser”.
Procurando ser sempre algo que não o nada, o homem encontra “sua razão de ser no próprio ato de perseguir um fundamento”.
“A realidade humana é antes de tudo o seu próprio nada”, e isso não podemos aceitar, pois não conseguimos nos imaginar reduzidos a nada ou a deixar de ser algo, a não existência nos apavora e não conseguimos sequer admitir imaginá-la. Por isso, o Ser para si anseia tornar o nada em ser, tornando essa eterna busca, a nossa realidade. 



everton moura