segunda-feira, 14 de março de 2011

O Morcego... de Augusto dos Anjos.

Meia-noite. 
Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego!
 E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
"Vou mandar levantar outra parede..." -digo. Ergo-me a tremer. 
Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,            
circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau.
 Esforços faço. 
Chego a tocá-lo. 
Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, á noite, ele entra
imperceptivelmente em nosso quarto!

"Aqui poderia começar a filosofia moderna?"

A passagem da consciência mítica e religiosa para a consciência racional e filosófica não foi feita de um salto. Esses dois tipos de consciência coexistiram na sociedade grega.

De acordo com os conhecimentos históricos, a fase inaugural da filosofia grega, onde Parmênides está inserido, é conhecida como período pré-socrático. Esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até Sócrates (468-399 a.C.).

Os antigos filósofos se preocupavam em buscar os caminhos da verdade filosófica e suas correlações com a palavra, ou seja, procuravam o significado do não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito; a verdade é a manifestação daquilo que é ou existe tal como é. O verdadeiro se opõe ao falso, pseudos, que é o encoberto, o escondido, o dissimulado, o que parece ser e não é como parece. O verdadeiro é o evidente ou o plenamente visível para a razão. Apesar da filosofia ter-se erigido pelos caminhos da alétheia, esta permanece, ainda, misteriosa desde a época do filósofo em pauta neste trabalho acadêmico – Parmênides - até os nossos dias.

Parmênides de Eléia (530 - 460 a.C.) viveu do final do séc. VI ao começo do séc. V a.C. Legislador, deixou suas idéias filosóficas em poema, Sobre a Natureza, que seria o discurso de uma deusa. Sua poesia é dividida em três partes: proêmio, em que ele descreve a experiência de ascese e de revelação; primeira parte, a via da verdade; e segunda, a via da opinião. É a doutrina mais profunda de todo o pensamento socrático, mas também a mais difícil interpretação.


Everton de Moura...

"ontologia"

Os problemas ontológicos que há de nos apresentar a vida como objeto metafísico têm que ser problemas de aspectos muito distintos daqueles que nos apresentam essas esferas da ontologia que anteriormente percorremos.
Em nossa vida "há" coisas reais, objetos ideais e valores. Cada uma dessas esferas ontológicas tem sua própria estrutura; e podemos nos perguntar: que significa isso que eu exprimo com a palavra "há"? Que significa esse haver coisas reais, objetos ideais, valores? Esse "haver" não significa outra coisa que a totalidade da existência. Haver algo é existir algo de uma ou de outra forma; e a totalidade da existência, a existência inteira é aquilo que há. Existência de que? perguntar-se-á. Pois a existência das coisas reais, dos objetos ideais, dos valores e de mim mesmo. Todo este conjunto do que há é, gramaticalmente dito, o complemento determinativo da existência; a existência é existência de tudo isso.
A existência, pois, na sua totalidade, abrange o ôntico e o ontológico, porque me abrange a mim também. Abrange o eu, capaz de pensar as coisas, e as coisas, que o eu pode pensar. Essa existência inteira, total, podemos denominá-la muito bem "vida", minha vida; porque eu não posso, de modo algum, sonhar sequer que exista algo que não existe de um modo ou de outro em minha vida: diretamente com uma existência especial, que é a existência de presença, ou indiretamente, por meio de uma existência de referência. Esta existência de minha vida é aquilo que o filósofo alemão contemporâneo Heidegger chama "a existência do ente humano". Ela mesma é ente, ou seja, que ela mesma — a existência — é entitativa. O ente humano, como existente, abrange, por conseguinte, não somente, estritamente falando, a subjetividade, mas também a objetividade. Desta maneira recebe um sentido pleno a fórmula que constantemente emprega o filósofo que citei para definir aquilo que essencialmente constitui esse ente da existência humana e é "O estar eu com as coisas no mundo".
Everton de Moura...

"Breve introdução"

Em 1973, surge Institute os Noetic Science, fundada pelo Capitão Naval Edgar Mitchell, com o objetivo de expandir a compreensão das possibilidades humanas, investigando aspectos da realidade – mente, ou seja, compreender tanto o interior quanto o exterior baseando-se que o mundo como conhecemos é reflexo do nosso interior. A noética é uma ciência que se baseia em conceitos das diversas tradições filosóficas e religiosas, bem como a objetividade subjetiva da ciência. Isso tudo acontece em 1973 fundada pelo Capitão Naval Edgar Mitchell, com o objetivo de expandir a compreensão das possibilidades humanas, investigando aspectos da realidade – mente, ou seja, compreender tanto o interior quanto o exterior baseando-se que o mundo como conhecemos é reflexo do nosso interior. A noética explora as possibilidade de interagir com a realidade além dos seus cinco sentidos e do conhecimento objetivo que em nada tem de objetivo. Ou seja, que baseia na verdade em subjetividades de um consenso coletivo. Hoje, a mesma contribui para diversos estudos chamados interdisciplinares da mente com foco especial, por exemplo, na psicologia, artes, terapias, ciências sociais, etc. Que fique bem claro que a noética se difere, e muito, do misticismo tendo em vista que a mesma se baseia no método científico para testar suas teorias e o misticismo procura se embasar na filosofia, fé e experiência religiosa. A consciência transmite a realidade, e que o homem é dono de sua própria vida. 
                                             Everton De Moura.