sábado, 9 de abril de 2011

O EXISTENCIALISTA JEAN-PAUL SARTRE.






 No filósofo Jean-Paul Sartre há dois seres distintos: O Ser em Si, que “é o que é e não pode deixar de ser”, como já anteriormente concluído por Parmênides. O Ser em si é ele mesmo, pleno, absoluto de si próprio, “empastado de si mesmo”, nele não há espaço para o vazio, sendo ao mesmo tempo, inconsciente de si próprio.
Já o Ser para Si, é a consciência, consciência que nos faz reconhecermo-nos como ser, sendo a única prova que temos de nossa própria existência.
Do Ser para si emana o nada, posto que o Em si não o poderia admitir, já que pleno de si próprio. Nem tão pouco poderia surgir o Nada dele mesmo, posto que nada surge do nada. Já o Ser para si, trás o Nada dentro de si, pois é o ser que questiona sobre o Nada de seu próprio ser, assim trazendo-o ao mundo.
O Nada, dessa forma vem a ser a ruptura entre o passado consciente e o presente, trazendo-nos, assim, a liberdade de nós próprios, que nada mais é do que o desprendimento do passado, pois “o homem nunca pode ser os conteúdos que povoam a sua consciência”, fazendo-o prisioneiro do passado. Posto isso, encontramo-nos libertos quando despedimo-nos constantemente de nosso próprio ser.
Mas enfim, o que realmente somos, se “temos a constante obrigação de nos fazer ser o que somos, se somos segundo o modo de ser do dever ser o que somos”? Dessa forma, representamos apenas a uma função, e não somos o que cremos ser. Estamos sempre buscando ser algo, sem de fato poder sê-lo. Portanto jamais poderemos ser um Ser em si, pois “o homem é, mas é de tal maneira que escapa ao ser”. Não pode ser o que realmente se é, como um objeto qualquer, pleno de si próprio. Pode, por exemplo, estar sentado, mas não Ser sentado. Assim, Sartre afirma que “o homem está condenado a representar e o teatro é eterno”.
Podemos nos tornar médicos, advogados, garçons, mas não podemos de fato sê-los, aprendemos as funções, a agir desta ou daquela forma, mas podemos mudar assim que desejarmos, deixando de sê-los, portanto, não o somos em si, estamos apenas representando, somos eternos atores de nossas próprias vidas! Pois o “Ser para si é o que não é e não é o que é”.
Dessa forma, enganamo-nos a nós próprios e cremos que somos o que na realidade não podemos ser. E “a crença, considerada em toda sua pureza, revela-se uma impossibilidade, pois crer é saber que se crê, e saber que se crê não é mais crer”. Ela tenta encobrir nossa negatividade, tenta criar um em-si, não aceitando nossa nadificação, procura fugir do que não se pode.
A consciência, o Ser para si, despede-se constantemente de tudo, ele é nada, introduzindo o nada ao ser, entretanto, sem aceitá-lo.
“O cadáver tem a plenitude de ser, a consciência é o em-si que se degrada em presença a si através de um ato ontológico, que consiste na intromissão do nada”.
“Penso, logo existo”, diz o cogito Cartesiano. Mas o que de fato sou? Sou um ser que crê ser o que não pode ser, um ser “que não explica o seu ser”.
Procurando ser sempre algo que não o nada, o homem encontra “sua razão de ser no próprio ato de perseguir um fundamento”.
“A realidade humana é antes de tudo o seu próprio nada”, e isso não podemos aceitar, pois não conseguimos nos imaginar reduzidos a nada ou a deixar de ser algo, a não existência nos apavora e não conseguimos sequer admitir imaginá-la. Por isso, o Ser para si anseia tornar o nada em ser, tornando essa eterna busca, a nossa realidade. 



everton moura

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