sexta-feira, 22 de abril de 2011

FILOSOFIA DA ARTE...

Como podemos então definir a beleza?

 Entre inúmeras reflexões que podem ser feitas, podemos nos referir ao pensamento Platônico acerca do belo. No séc. IV a.C., o pensador já questionava o que hoje em dia ainda nos perguntamos. Segundo ele a arte consistia apenas na imitação de coisas belas, ou seja, o artista seria apenas um simples mortal que ganha sua vida imitando aquilo que já existe. Para ele as representações materiais do belo compartilhavam da beleza absoluta, entidade que existia no mundo das idéias e era, portanto, universal e se manifestava na proporção, na simetria, na medida e na harmonia das partes em relação com o todo. Proporções e simetria ligavam a beleza com o bem, enquanto o belo revelava o ser e era ligado também à verdade.


Para Aristóteles, essa imitação tinha seu valor e o belo deveria responder a normas objetivas. Porém não era definido e julgado em relação ao ser e ao verdadeiro, mas em termos de perfeição das formas, ou seja, baseado em critérios objetivos como a ordem, a simetria e a definição.
Com a influência de Hegel, o bom gosto passa a ser considerado a partir do clássico, retomando a influência mais aristotélica do que platônica. O tempo livre para o pensamento foi, conforme os gregos, ocupado com a contemplação do belo aristotélico, no qual o artista é o centro.
Em todas as épocas encontramos um padrão de beleza específico e podemos perceber essas especificidades a partir, por exemplo, das roupas e dos corpos. Podemos utilizar a imagem do corpo feminino como um paradigma dessa modificação de padrão de beleza.
Durante a Idade Média, Santo Agostinho foi um dos pensadores que fez com que as idéias de Platão voltassem a ser discutidas e contribuiu para o desenvolvimento de uma teoria do belo que perdurou até o início do Renascimento. Segundo Humberto Eco nesse período “o belo está em todos os lugares e é sinônimo do bem, da verdade, refletindo uma conjunção harmônica de beleza física e virtude”.
Com o renascimento há um retorno ao antigo conceito grego do belo, influenciado de modo considerável pelos pensamentos de Aristóteles. O belo era visto como reflexo da inalcançável transcendência divina.
A história da arte foi sendo escrita a partir das transgressões de muitos artistas. Manet, por exemplo, foi um pintor que muito contribuiu para o fortalecimento da noção de beleza. Em seu quadro Olympia que representava sua versão da Vênus moderna, ele retrata uma jovem prostituta fazendo uma referência audaciosa a obra de Ticiano (Vênus de Urbino). A modelo foi retratada completamente nua e aos seus pés, diferente do inocente cachorrinho que havia no primeiro quadro, havia um gato negro que contribuía para a composição de um cenário erótico. Segundo Taisa Helena P. Palhares “Manet retoma de forma provocativa o cânone clássico da Vênus de Urbino de Ticiano para metamorfoseá-la na figura de uma mulher venal. Nessa tela, a beleza desce de seu céu metafísico, transcendente, para habitar as coisas mais prosaicas e mundanas”.
EVERTON

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