segunda-feira, 14 de março de 2011

"ontologia"

Os problemas ontológicos que há de nos apresentar a vida como objeto metafísico têm que ser problemas de aspectos muito distintos daqueles que nos apresentam essas esferas da ontologia que anteriormente percorremos.
Em nossa vida "há" coisas reais, objetos ideais e valores. Cada uma dessas esferas ontológicas tem sua própria estrutura; e podemos nos perguntar: que significa isso que eu exprimo com a palavra "há"? Que significa esse haver coisas reais, objetos ideais, valores? Esse "haver" não significa outra coisa que a totalidade da existência. Haver algo é existir algo de uma ou de outra forma; e a totalidade da existência, a existência inteira é aquilo que há. Existência de que? perguntar-se-á. Pois a existência das coisas reais, dos objetos ideais, dos valores e de mim mesmo. Todo este conjunto do que há é, gramaticalmente dito, o complemento determinativo da existência; a existência é existência de tudo isso.
A existência, pois, na sua totalidade, abrange o ôntico e o ontológico, porque me abrange a mim também. Abrange o eu, capaz de pensar as coisas, e as coisas, que o eu pode pensar. Essa existência inteira, total, podemos denominá-la muito bem "vida", minha vida; porque eu não posso, de modo algum, sonhar sequer que exista algo que não existe de um modo ou de outro em minha vida: diretamente com uma existência especial, que é a existência de presença, ou indiretamente, por meio de uma existência de referência. Esta existência de minha vida é aquilo que o filósofo alemão contemporâneo Heidegger chama "a existência do ente humano". Ela mesma é ente, ou seja, que ela mesma — a existência — é entitativa. O ente humano, como existente, abrange, por conseguinte, não somente, estritamente falando, a subjetividade, mas também a objetividade. Desta maneira recebe um sentido pleno a fórmula que constantemente emprega o filósofo que citei para definir aquilo que essencialmente constitui esse ente da existência humana e é "O estar eu com as coisas no mundo".
Everton de Moura...

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