segunda-feira, 14 de março de 2011

O Morcego... de Augusto dos Anjos.

Meia-noite. 
Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego!
 E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
"Vou mandar levantar outra parede..." -digo. Ergo-me a tremer. 
Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,            
circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau.
 Esforços faço. 
Chego a tocá-lo. 
Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, á noite, ele entra
imperceptivelmente em nosso quarto!

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