quinta-feira, 31 de março de 2011

EM EPICURO DE SAMOS A MORTE NÃO EXISTE...



Morrer, a causa de preocupações e medo de grande parte da população. Algo totalmente natural, mesmo assim um mistério. Ao nascer, já nascemos com ela – nascemos morrendo. Para alguns, é a pior desgraça conhecida, para outros o fim da vida terrena, o passaporte para a vida eterna nos belos campos de um paraíso perverso. Outros dizem não temê-la, mesmo sem conhecê-la. Para Epicuro de Samos é um bem, um bem necessário.
Epicuro nasceu, de pais atenienses, na ilha de Samos, em 342 ou 341 a. C., e morreu em Atenas, em 271 ou 270 a. C. Para o historiador Diógenes Laércio, em cuja obra se encontram as principais informações disponíveis sobre Epicuro, a filosofia despertou-lhe o interesse precocemente.

A Cultura Helênica hospedou vários pensamentos. A filosofia abandonou a política e passou a ter como tema a reflexão, o interior do homem. A filosofia começou a fazer parte de um receituário para o bem estar. Neste período três principais correntes filosóficas foram formadas, entre elas o Epicurismo.
Quando a filosofia voltou a ter o interior humano como tema, assuntos voltaram a fazer parte dos pensamentos, entre eles, a felicidade.
A felicidade até hoje é um mistério. O mundo das idéias e o mundo sensível de Platão apontam a felicidade: algo perfeito, real, mas indisponível para o homem.
Para Epicuro, a felicidade está sim disponível para os homens, mas estes devem pagar o preço. Para ele, a felicidade é a satisfação dos desejos físicos. Felicidade é o prazer em repouso.
Para termos a necessidade, precisamos da liberdade como princípio básico. Esta liberdade baseia-se na ausência de qualquer sentimento, de qualquer sensação. Se sentimos, não podemos ser felizes – aquela garota amada que só dá bota prova isso – se temos algum tipo de sensação, a felicidade é bloqueada. Para o não sofrimento do corpo, a não perturbação da alma – o Epicurismo também é denominado “medicina da alma” – não deve haver prazer físico, logo existirá a felicidade.
O Epicurismo tem com pilar a ataraxia, ou seja, a filosofia da tranqüilidade. A ausência de excessos. Logo, bater as botas é a solução. Isso mesmo, caro leitor. Para Epicuro, a morte é a solução de todos os problemas humanos, é a chave para a felicidade da alma.
Na morte, não há o que temer. Na morte é possível encontrar o bem.
Bater as botas significa livrar-se de todas as perturbações da vida. Felicidade para os “presuntos”, lucros para os coveiros e afins.


Como o Ceticismo e o Cinismo, o Epicurismo também tinha suas contradições. Epicuro falou que a morte é a solução, que a morte é uma coisa boa; motivação para puladores de ponte, bebedores de veneno e emos gregos / bárbaros se matarem, para conseguir o bem-estar.
Bem, ou Epicuro era bom o bastante para viver “sofrendo” para passar a solução para seus semelhantes, ou detestava a idéia de viver feliz ou não era nada bobo. Ficarei com a terceira possibilidade.


O Epicurismo é uma teoria filosófica interessante. A morte também.
everton de moura

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