terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Não há Idade das Trevas.


A metafísica Cristã.
Depois de ter se oficializado como Igreja, representante única de Deus na Terra, o Catolicismo e toda Cristandade precisavam se afirmar não somente no âmbito da fé, mas em nível equiparado aos grandes pensadores e grupos aos quais professavam doutrinas tais que beiravam a perversidade (nas práticas ritualísticas) ou a falta de elocução racional na fé (não explicavam, só viviam). Portanto, o problema principal para os cristãos foi o de encontrar um meio para reunir as verdades da razão (filosofia helenista) e a fé (religião), isto é, reunir novamente aquilo que, ao nascer, a Filosofia havia separado, pois separara a razão do mito e ao mesmo tempo orientar as pessoas e atentá-las a ouvir o que o Filho de Deus disse enquanto estava na Terra. Mediante a um convencimento que leva em conta o pensar e o acreditar.
Alguns pontos podem ser elencados para denotar as preocupações da Igreja Católica em relação a explicar o que vai além do físico.

v  Provar a existência de Deus e os atributos e predicados de sua Essência. Para a metafísica grega, a divindade era uma força imaterial, racional e impessoal conhecida apenas pela razão. Aos cristãos, Deus é uma pessoa trina que se revela ao espírito dos que tem fé.

v  Provar que o mundo não é eterno, mas foi criado por Deus e a Ele cabe o seu fim.

v  Provar que Deus, embora imaterial e infinito, Sua ação pode ter efeitos matérias e finitos.

v  Provar que a alma humana existe e é imortal, estando destinada à salvação ou a condenação eterna, segunda a Providencia Divina. E não como existente em corpos diferentes segundo a lei das virtudes.

v  Provar que não há diferenças entre a liberdade humana e a onisciência e onipresença de Deus. Esta contradição só existe aos olhos da razão.

v  Provar que as ideias (platonismo), ou emanações (neoplatonismo) bem como os gêneros e as espécies (aristotelismo) existem, são reais, criadas pelo Intelecto de Deus, são universais e estão no particular que somos.

v  Provar que o ser se diz e deve ser entendido de modos diferentes conforme se refira a Deus ou às criaturas. Para os gregos, no entanto, o Ser existia de diferentes maneiras, mas possuía um único sentido no que se refere à realidade e à essência.

v  Provar que a fé e a razão, revelação e conhecimento intelectual não são incompatíveis e nem contraditórios e quando forem à fé, ou a revelação, deverá ser considerada superior.

Em relação a estes pressupostos inicialmente neoplatônicos, também encontramos de modo sistematizado o pensamento de Aristóteles, este se dá em um período posterior aos esforços de tentar converter e convencer as pessoas no Deus do Israel. Surge mais o pensamento neoaristotélico para defender a fé, muito embora o neoplatonismo também tenha cumprido seu papel neste sentido, mas ambos não fugiram da prerrogativa de anunciar o Evangelho cada qual defendendo sua maneira de elucidar as questões levantadas ou surgidas com o decorrer do tempo Medieval.
Neste sentido surge como metafísica cristã a Teodicéia, com este nome surgido na modernidade, traz a baila o que a medievalidade denomina Teologia Natural que é:

v Ciência filosófica de Deus.

v Busca da Causa Primeira de todas as coisas à Luz das Sagradas Escrituras, mostrando qual é a causa do ser.

v Ciência que tem como método a explicitação racional que se encerra necessariamente no conceito de Causa Primeira.

v Usa como explicitação as perspectivas metafísicas oriundas de toda a Antiguidade como as devidas contribuições de até então.

v Compreende a demonstrar a existência de Deus e tudo ao que lhe é atribuído como Ser que Causa todas as coisas.

everton moura

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Hoje que um dia será ontem!!!





Não chega a ser tristeza. É uma melancolia, um saudosismo!!! Como se eu fosse atravessar uma ponte já sabendo que ela se desfacelará sob meus pés... Não chega a ser dor, mas dá uma pontada de querer que acabe logo!!! Não é choro, mas sinto o sal, sem água, acho que é a acidez do estômago!!!
Em meio ao turbilhão de minha existência inautêntica me refugio em janelas que são pessoas as quais tem o que eu não tenho. Vivo a buscar nelas o que em mim falta por incopetência de assumir que há outras existências dentro de mim. Não chega a ser eu o que sou, mas fruto do que quero ser nos outros!!!
Antes era mais fácil, pois eu sabia que sabia algumas coisas. Hoje só solidão, flores e água pouca!!!
Esta melancolia, a vontade que acabe logo e o sal vem misturados com a pouca prática que tenho em acreditar, aliás, em nenhuma prática de acreditar... Uma angustia, uma espera...
Não entendo porque estou assim, pois antes eu era assim! Muita coisa mudou em pouco tempo!!! Ou foi o tempo que mudou como dizia o poeta!? Um ser-para-si, jamais em-si. Senão: ser-para-o-outro. Constituição fraca e arredia na qual me faz fugir de mim para o outro em um discurso de alteridade do outro eu que não sou eu!!! Fracasso!!!
Mas me avisaram... Disseram para que eu me cuidasse! Não me lembro onde. Num sonho onde armazeno meu Sátiro com chifres protuberantes cujos Centauros e Unicórnios me levam a repousar desta tão cruenta existência...
Não sei de mais nada!!! Só tento agora me recolher em estilhaços que eu represento para que com minha vontade possa estar no Mundo... Hoje dizeram que tudo isso ia passar e acrescentaram: Amanhã você não vai lembrar que é assim, enfrente com o maior animo que tem. E o faça um lugar mais decente, por mim e por você.

everton moura

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Drama da Dama (intitulo babaquices de uma reflexão sobre uma mulher)





No que se refere a acreditar, estou cético!

Não sei muitas coisas, mas pretendo sabê-las ao máximo. Seja pouco, porém profundo. Sem discursos proselitistas e menos ainda enfadonho! Quero vento! Solidão e água pouca. Queria mesmo era poder sair um pouco de uma existência imposta por parâmentros convencionais ou quem sabe desamarrar o nó da inautêntica existência que corrói, mas felicita alguns com o drama da alegria que se desfaz no tempo, o qual efêmero como é, faz com que realidades sejam menos possíveis de se crer. Se é que há algo mais crível que a própria 'crivilidade'. Por si ela não tem garantia alguma, mas pode ser considerada crível de si por convencer e por convencionar as coisas, os assuntos e as pessoas!!!
Quem diria que uma existência inautêntica abarcasse tudo isso!!! Heidegger já sabia!!! Mas ainda sim considerava que esse tipo de vivência não era admissível, pois tira a perspectiva da possibilidade humana de existir para as mesmas, o que define a si como existência autêntica.
Entende!?
É de tudo isso que quero fugir!!! Não que alguém leia este post, temos outras coisas mais importantes para se fazer, mas me convencer que alguém lerá este e se oportunizará em uma dinâmica de raciocínio... Hum... Deixe-me ver!!! Não!!! Não acredito mais nisso. Parece haver um decreto que se intitula 'normalidade' e 'equlíbrio', praticamente uma doutrina tirânica que nos impede de existir autenticamente. Claro que não precismos ser irracionais, prerrogativa dificil de enteder mediante algumas ações humanas, mas essa ditadura de querer a normalidade me inquieta. Precisamos ser gente, isso não deveria ser difícil, haja visto que gente vem do grego 'genitos' é quer dizer nascido! Ora ser gente é ser nascido. Existir seria um exercício integral das dimensões que um nascido tem. Mas ora!!! Isso foi convencionado???
Entende!?
Eu não!
Nem sempre a existência que temos corrobora concomitantemente com o 'gente' que somos... Assumir isso é para poucos! Muitas vezes essas convenções fazem com que esqueçamos que nascer não é o suficiente, é necessário, mas que este nascimento se consodolize em ser praticando dentro do elã do tempo passado, pois genitos é verbo no passado, pressupondo portanto, que o movimento sempre se dá na escala gradual da existência que por sua vez é  ex=para fora e sistere= manter-se em pé, ideia de manter-se em pé, nascido, pois quando criança é necessário que fiquemos de pé para o amadurecimento biologico e que desemboca no para fora, manter-se fora de mim, estar fora de mim, em pé, vivendo... Latim!!! Língua que tem palavras como ideias e não meramente conceitos.
Assim, este decreto de normalidade forçada em uma busca radical parece uma contradição! Aceito-as todas, mas com ressalva de um sentimento contumaz que me revela uma finita e imperiosa lacuna existencial. Talvez por isso não creio mais... 

everton moura

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Logos: Sabedoria e Força X Imutabilidade e Transformação


É inegável que nos 131 Fragmentos tomados como válidos por Diels e Kranz predominam o logos (relação com o conhecimento), o fogo (motor dos processos) e o tempo (relação com o ser). O logos concentra em si as discussões epistemológicas, assim como aquelas ligadas à alma e ao conflito; o fogo encerra o conceito do princípio unificador, para alguns, o único elemento estável de todo o processo; já o tempo congrega o debate sobre as temporalidades permanentes e as transitórias, assim como, por derivação, a questão ontológica do “ser e não ser” ao mesmo tempo.
Iniciemos pelo logos e sua dimensão epistemológica. Heráclito fala em “ouvir o logos”, isto é, ouvir a natureza fundamental do homem, fato que Heidegger, em Carta sobre o humanismo, leu como “escuta do ser” através da poesia. O logos está sempre presente e os homens que não se predispõem a ouvi-lo não o conhecerão como tampouco terão capacidade de falar e de pensar. Ouvir o logos é, naturalmente, uma forma metafórica. Logos não é a palavra e não pode ser reduzido (ou empobrecido) a uma questão meramente linguística. O logos está muito além do homem. Ele não opera com conceitos e se usa de uma linguagem “polivalente e antepredicativa”, que permite ao homem tornar-se porta-voz esclarecido dele, mas jamais seu fundador: o logos o ultrapassa. Mais ainda, o logos está antes comprometido com a questão epistemológica: é o saber genérico, o tomar consciência, o estar presente no mundo.
O homem sem ouvir pode estar presente, mas nada apreende, ele torna-se “presente ausente”. Deixar de se envolver diretamente no que está vivendo é como nada vivenciar em primeira mão.
Na epistemologia do logos, o saber, o tomar consciência, mostra-se instantaneamente, sem intermediários. Basta “estar desperto”, “estar na escuta”, fato que só é possível durante a ocorrência da coisa, jamais depois. Apreendemos as coisas como “de um salto”, mas não se pode deter-se lá. Os que dormem, dizem os fragmentos 75, 89 e 1, estão distantes do logos. Como no conceito de sentido dos estóicos, o sentido emana imediatamente do ato, ele é instantâneo, só é capturável naquele exato momento, o momento do “ser cortado” quando bisturi e carne constituem algo incorpóreo. Todas as tentativas posteriores de recuperação serão infiéis, artificiais, forçadas e forjadas, exercício a posteriori de se refazer aquilo que já não está ocorrendo. Por isso, a interpretação será sempre trabalho sobre um resíduo instalado, enquanto que a vivência é apreensão, é sentir o logos. Voltaremos a isso na discussão do acontecimento, mais à frente.
Mas o logos também é outras coisas. Ele pode ser a alma, o “daímon” (o intermediário entre o divino e o humano); pode ser os próprios deuses, ele é o conflito, o combate, a morte. Vamos por partes. Logos enquanto alma não se confunde com a alma romântica, a alma racional, a alma cristã, todos esses subprodutos da alma platônica. Ele é alma enquanto vida “sopro”, ou mesmo, psiquismo. Aqui, logos é élan vital.
Como Daímon, ele é o elo entre homem e Deus, aquele que faz a ligação, da mesma forma como em sua apropriação pelo cristianismo, como anjo da guarda, que nos sussurra ao pé do ouvido o que devemos e o que não devemos fazer. É, portanto, também, a “voz interior”, espécie de consciência, aquela que deve ser ouvida. Mas essa consciência nada tem a ver com o Cogito cartesiano. Nesse aspecto, Heráclito é bem claro: “ouvindo não a mim, mas ao logos é sábio concordar que tudo-é-Um” (fr. 50)
Tudo é um, o cosmos é ou está em cada um de nós. Isso quer dizer que sentimos o mundo seja pelas coisas sensíveis que se mostram a nós, seja através da captação daquilo que não se mostra. O invisível faz parte dessa epistemologia da mesma forma que o visível. 
Mas, como pode ser logos também conflito e morte? É que logos, além de ser aquilo que se conhece ou que nos permite conhecer (a natureza do ser), apreensível através da escuta atenta, além de ser essa anima que nos envolve e que nos liga ao cosmos e à divindade, além de ser o daímon, a voz interior. O Logos não está, em princípio, para Heráclito, associado a discurso, a palavra. Não tem nada a ver com qualquer interpretação linguística ou textual; o termo remete, antes, ao legein, que se refere “àquilo que reúne”.
Sendo aquilo, segundo o qual, tudo acontece, ele é a instância onde os contrários, juntando-se, equilibram-se; é o combate e a harmonia. Em outras palavras: logos é força neutra e sabedoria única.
O conflito, por outro lado, é à base de tudo. Para Heráclito quem provoca a dinâmica incessante na physis não é apenas o movimento, mas também o conflito.
 O fogo, para Heráclito, é o correspondente imediato do logos, assim como o elemento motor do mundo. O fogo são as “impressões digitais” que o logos empresta a todas as coisas. Ele gira em torno das coisas ou é seu “invólucro”. Não é apenas um invólucro porque ele, enquanto elemento motor, de fato, gira em torno das coisas e as comanda. Diz Heráclito no fragmento 31: “Conversões do fogo: em primeiro lugar, no mar; mas, do mar em metade da terra, a outra metade é brasa ardente... A terra dilui-se em mar e este retoma seu tamanho na mesma relação que ele estava antes de tornar-se terra”. O fogo, assim, conforme Diels-Kranz, não é obra de nenhum deus, nem dos homens; é simplesmente o “fogo eternamente vivo”. E divinos, para ele, não são exatamente os deuses, mas a “lei fundamental do cosmos”, uma outra forma para falar do movimento dos opostos na busca de uma harmonia. E é o fogo quem permite a realização do logos. Ele é a marca da eterna presença deste, ambos reunidos sob o conceito de physis (como totalidade do real: tanto na sua ordenação quanto nas leis que o regem), que abarca tudo, tanta materialidade quanto às relações abstratas que a sustentam. Os elementos que constituem o real (efêmeros, mutáveis) e o fogo (a duração, o permanente) estão imbricados uns nos outros, sob um único e mesmo logos.

 everton moura.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A EXISTÊNCIA DO EXISTIR...



Uma existência lúgubre assombra àqueles que procuram motivos para não existir, ou não querem de fato existir. Correm de tal modo em busca de algo que esquecem que dentro de si há mais significados do que fora. Procura-se na secura e na quintura o motivo da chuva e esquecem a proporção per si a qual a mesma tem. Reflexões oriundas de tristezas não vividas, mas rebentadas!
Alocuções de uma minguada existência que foge do que ela deveria ser: exercício de existir.
O que fazer quando a existência não mais existe e se apega em queixumes baratos, não vivos e arredios? O que fazer quando não há existir da existência ou na existência?
Penso na morte!
Solução dos mais ousados que acreditam não sentir mais a existência, o que de fato deve ter lá seu significado, sobretudo porque existir não tem muita ligação com existência. Afinal, mortos existem, não sei para eles, mas para os que ficam vivos... Pressupomos a morte como não existência, mas o existir dela é fato entre nós e entre os prestes a irem ao seu encontro, ou aos que ela encontra! O existir existe, mas a existencia evapora na imensidão do Mundo pelo qual não importa com a sua existência, senão seu existir, mediante a existência de todos nós, pois somos nós que permitimos a existência do seu existir. Enquanto a todos existir não tem nada a haver com a existência do Mundo, pois se esta acaba nós poderíamos morar na Lua... No Sol... Ah!!!! O Sol... Esse sim tem existência... E existir!!! Sem Ele, fica complicado existir na existência do existir do Mundo, trocadilho redundante, mas propício. Quando não há Sol, pode-se haver morte. Já pensou que existe Sol durante 24hs no Hemisferio Norte, mas que não há 24 hs de Lua em canto nenhum??? Pois é, drama de uma existência lúgubre!!! Talvez por isso os enamorados elencam a Lua como amante. Tristeza evocada no existir do satélite e na existência do mesmo perante o Sol... E ao Mundo...
Pobre existência... Dependente... Caída... Chorosa! Existir inato... Poderoso... Eterno...


everton moura

terça-feira, 23 de outubro de 2012



AULA V – HERÁCLITO DE ÉFESO.


Estudar Heráclito de Éfeso é um meio de entendermos o início da Metafísica, pois a contribuição conceitual que ele cunha, mediante as perspectivas já existentes dos pensares da época, é de suma importância até os dias de hoje, suas reflexões estão no âmbito do que está no meio de nós, mas que por questão de sistematização o próprio filósofo se vê impregnado de questionamentos sobre o que existe. Seus patriotas (Éfeso estava situada na Jônia) lhe entregou de herança pensamentos sobre a origem das coisas bem como o seu fim, mas nada em relação entre a origem e o fim disto que foi originado. Isto é, algo que foi criado com o tempo deixa de existir, a isso se preocupa Heráclito. Deixa de existir por quê? Por acaso o que existe precisa ter fim? O que põem fim na existência? Se algo existe e se corrompe, para ele a existência disto é mais real do que o que existe, então o que existe não é a coisa em si (o que existe), mas o que põe fim na coisa em si é mais real do que existe. Elucidando: há o fruto na árvore, este fruto se colhido será comido, transformado em nosso organismo. Se caso permanece na árvore, amadurece e cai, depois apodrece e aos poucos vai se tornando elemento orgânico na terra.
Esse exemplo é observado em Heráclito em repetidos banhos tomados na costa norte de Éfeso, na Jônia, lá ele se depara que toda vez que ao tomar banho as águas já não são as mesmas, essas fluem, modificam-se, passam e não volta mais. Este princípio é aplicado por ele às coisas. Elas passam e com isso se modificam. Ao olhar os seres humanos ele observa que há as modificações, e por fim morrem as coisas todas que existem passam, se acabam. Assim, se tudo termina e tem fim, elas estão no processo do devir. Do que vem a ser, ou seja, tudo o que existe só existe no vir a ser. Tudo o que é e era advém do devir, só o devir existe o resto é processo deste mesmo devir que põe fim em tudo. O que é real é o devir, as coisas são produtos e desemboca nele.
O devir é a arché, a realidade (o que existe) é o que vem a ser, e só isso existe. Essa afirmação afeta diretamente o conhecer, se as coisas não existem porque sempre estão mudando, estando no processo de devir, como conhecê-la, nada é passível de conhecimento, só o devir. Toda realidade é percebida pelo intelecto, mas não existe se não está no processo do vir a ser. Não é conhecido, pois a cada momento que vamos ao objeto ele é outro, um novo objeto. Um conhecer novo sempre, então não o conhecer!!! Portanto tudo muda muito, nunca é um ser, são vários seres! Então o ser não existe[1]!

everton moura.


[1] Vale ressaltar que os estudos contextuais dos filósofos sempre estão voltados a unicidade na multiplicidade. Coube aos primeiros filósofos tentar buscar na multiplicidade da realidade uma única realidade que origina essa multiplicidade. A arché é isso: a origem da multiplicidade. A existência da arché é fato que origina todo o Mundo, em cada filósofo uma explicação de arché diversa, portanto quando as heranças dos pensamentos jônicos chegam a Heráclito e sua interpretação de existência do que é real muda, pois as existências não existem, muda sempre! Mas o pensamento da unicidade não muda, a arché para ele é o Logos-fogo, que a tudo muda, este é o nome do devir, que ao mudar tudo muda de formas variadas. Portanto é ‘não-ser’ que é.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Um pouco de Cristandade...

Me pediram tanto que está aí um breve resumo do que é a existencia de Deus para um filósofo-teólogo, a via mais concreta de estudo hoje e aceita até por algumas alas cientificas não-cristãs é a de número cinco, mas deixando bem claro que os cientistas não atribuem este título ao Deus qualquer que seja Ele, mas admite algo que ordena as forças supranaturais da sensibilidade cosmogônica e cosmológica do Mundo .



Eis os argumentos vindo de Tomás de Aquino, frei da Ordem dos Pregadores, conhecidos como Dominicanos: 

Trata-se de um conjunto de argumentos “a posteriori” pelos quais nos levam a concluir, por seu realismo tão presente a abstração "a priori".

1ª Prova – A do Motor Imóvel: diz que “se aquilo pelo qual é movido por sua vez se move, é preciso que também ele seja movido por outra coisa e esta por outra. Mas não é possível continuar ao infinito; do contrário, não haveria primeiro motor e nem mesmo os outros motores moveriam como, por exemplo, o bastão não move se não é movido pela mão. Portanto, é preciso chegar a um primeiro motor que não seja movido por nenhum outro, e por este todos entendem Deus”.

2ª Prova – A da Causa Primeira: Neste argumento, Tomás nos mostra que tudo no mundo possui uma causa eficiente, uma razão de ser como de fato é. Nada é causa de si mesma, pois a causa sempre vem antes do efeito, sendo assim, algo que fosse sua própria causa deveria existir antes dela mesma, o que é um absurdo. Ele nos diz também que não podemos estender a cadeia de causas e efeitos até o infinito, tendo que chegar a uma causa primeira, que não teve causa e é a causa de todas as outras coisas. Essa causa é Deus.

3ª Prova – Do Ser Necessário: Este argumento nos fala que os entes (coisas) são contingentes, ou seja, que podem existir ou deixar de existir. Tudo que existe no mundo houve um tempo em que não existiu e haverá um tempo em que não existirá mais. Sendo assim, houve um tempo em que nada existiu. Mas se isso fosse verdade, ainda hoje nada existiria, pois “ex nihil nihilo fit” (do nada, nada provém). É preciso admitir que existe um ser que é necessário, isto é, que sempre existiu, e que através dele todos os outros seres vieram a existir. Este ser não pode não ter existido em determinado tempo e nunca deixará de existir. Este ser é Deus.

4ª Prova – A dos Graus do Ser: Este argumento nos diz que em todas as coisas do mundo existe um grau de perfeição, de bondade, de ser... As coisas do mundo são mais perfeitas, boas, belas que outras. Sendo assim, deve haver algum ser que contém esses atributos ao infinito e seria a causa desta mesma perfeição, bondade, beleza... nos outros seres. Este ser é Deus.

5ª Prova – A da Inteligência Ordenadora: “O quinto caminho deriva do governo do mundo. Nós podemos ver que as coisas que carecem de conhecimento, como os corpos naturais, agem em função de um fim. Isso é evidente pelo fato de que sempre ou quase sempre agem do mesmo modo, de forma a obter os melhores resultados. Portanto, está claro que não alcançam o seu fim por acaso, mas por intenção. Ora, tudo aquilo que não tem conhecimento não pode se mover em direção a um fim, a menos que seja dirigido por algum ente dotado de inteligência e conhecimento, como a flecha é dirigida pelo arqueiro. Por isso existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas para o seu fim. E este ser nós chamamos Deus”.


everton moura.